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Comportamentos Diferentes

Arquivo: Outubro 2009

31/10/2009 GMT -2

AA Emergência

celu @ 16:56

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29/10/2009 GMT -2

Egoísmo

celu @ 20:23

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26/10/2009 GMT -2

O desafio de ser diferente (Dado Moura)

celu @ 20:21

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 “Desde a pré-história, já eram encontrados indícios de que os primeiros homens buscavam viver em grupos, da mesma maneira, percebemos essa característica também entre os animais. Em grupos, os animais conseguem, com mais eficácia, sua sobrevivência, e consequentemente, está assegurada a perpetuação da sua espécie.Embora se compreenda a eficácia de se viver em grupos, na civilização moderna, o que se constata muitas vezes, é a dificuldade da convivência. Temos a impressão de que muitas pessoas, às vezes, preferem viver a sua independência, se fechando para o outro, ao invés de se adaptar às exigências de algumas regras básicas, necessárias, que são estabelecidas naturalmente em função do bom relacionamento.Somos pessoas únicas em todo o nosso ser. Somos capazes de fazer valer a nossa racionalidade sobre nossos instintos naturais. Trazemos particularidades únicas na maneira de viver, de responder às exigências, de enfrentar as dificuldades e também de assimilar os acontecimentos ocorridos contra a nossa vontade. Diante de tamanha particularidade, entendemos que dentro de um relacionamento – juntamente com os demais integrantes, cujos comportamentos também são diferentes e únicos – podemos enfrentar alguns desafios. Obviamente uma pessoa terá problemas de convivência, dentro de um grupo social, se manter o caráter de disputas, de autopromoção no desejo de se destacar sobre os demais, de concorrência ou de ciúmes. Quando nos propomos a conviver com outras pessoas, quer seja no trabalho, quer seja na escola ou na comunidade na qual nos encontramos, o fazemos por nossa própria opção. Identificamos nesses grupos sociais características que nos convenceram a desejar o engajamento, vivendo e aprendendo a respeitar os princípios praticados neles, a fim de alcançarmos a harmonia do relacionamento de modo a se atingir um objetivo comum. Na aprendizagem da sadia convivência, estamos sujeitos aos desentendimentos; entretanto, muitos destes – se não forem controlados – podem fomentar a segregação. E, infelizmente, muitas vezes, dessa ruptura se origina um outro “grupinho de discípulos”, que levam como hábito a crítica, quase nunca construtiva, contra a outra pessoa, ou o outro grupo do qual participavam. A fim de minimizar os traumas e de preservar a perpetuação do título que o ser humano é “sociável”, devemos acreditar na mudança e no controle dos nossos impulsos; especialmente daqueles que facilmente se sobrepõem à nossa racionalidade, liberando assim os instintos mais primitivos, oriundos dos nossos ancestrais pré-históricos.

Reconhecendo os objetivos pelos quais nos propusemos a fazer parte de um determinado grupo social, precisamos assumir o desejo de ser “diferentes” quando não encontramos as qualidades que consideramos vitais na outra pessoa, a fim de ser para esta, modelo de comportamento, de solidariedade, acolhimento, paciência, benevolência, amizade… sendo tudo regido pela boa educação.
Assim, ao invés de sair em busca de uma sociedade perfeita – de acordo com o nosso gosto – estaremos empenhados em enriquecer nossa comunidade particular com as preciosidades de nossas virtudes.”

22/10/2009 GMT -2

Escala Fahren‘life’

celu @ 13:56

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“Desde tenra idade somos adestrados, porque precisamos fugir de nosso lado instintivo. Somos nada mais além de robôs, hoje. Até há exceções, mas elas cedem quando em estado de ‘baixa imunidade’. Queremos muito o lugar daquele sem sequer olhar para o quão intenso foi o nosso avanço. Somos humildes, erroneamente; prepotentes, por conveniência. Perceber uma escala que nos cerca. Tentar entender que a perfeição, a nós, não chega, porque vivemos numa relação ‘domínio x imagem’. Sim, este mutualismo que invade a nossa arrogância para forçar-nos a pedir e atender. Temos a base e o ápice e você nem precisa invejar alguém, porque as suas ferramentas são as mesmas que concernem ao do lado.

Não há o melhor ou o pior. Há equilíbrio. Nós inventamos as pirâmides, porque nós não somos só um grupo de animais irracionais. Somos a contradição, a mentira. Fingidos. O ‘melhor’ está dormindo agora e você pode assumir seu ‘cargo’- Inteligência. Só isso – Esperar que alguém, a partir do fracasso, lhe dê um prêmio é não ser capaz de se premiar. É fugir da sua habilidade aplaudida por conta de seus vagos princípios primários . Aí você se torna um tolo, porque esconderá o seu sucesso e inibirá o que você tem de melhor para socializar. As suas lágrimas já não serão comoventes, porque você terá ofuscado o brilho dos seus olhos com a sua arrogância que se encerrará na sua ‘autodescrença’. Não, não seria o fim. Seria o momento oportuno para recomeçar, dar-se este presente. Então, tudo ficaria claro. A emoção volta a consumi-lo e você sente-se bem, apesar de ainda estar subordinado ao outro.
Tenho, eu, uma explicação para esta prisão mútua entre os homens e socializo: vivemos com base numa escala, a escala da vida, o teste dos mortais, a vida para ser vivida, a diferença a ser compreendida, o melhor será o pior e vice e versa, somos ora professores ora alunos, porque a ignorância só nos é permitida se sua duração for breve. A timidez concebe os falsos sábios, a fala destrói a dúvida e expõe a concepção de prepotência e isso é ridículo, porque é o que as pessoas verdadeiramente sábias são para aquelas que trancam seu conhecimento e se julgam melhores sem que precisem afirmar que são, porque alguém as propagandeará. Nós decidimos a que ‘grau’ devemos exceder, porque nós somos nosso único empecilho e a nossa principal motivação. Mil elogios não são suficientes quando o espelho nos critica. A satisfação pessoal é exigente quando não se admite erros. As falhas são vergonhosas e abre-se espaço para que os outros digam “você é fraco!” - pretensão-, e você não é.
A comparação é a origem dos nossos conflitos externos e internos. Há as diferenças para que sejamos úteis um ao outro, nenhum outro sentido para nossa existência. Nem entendemos isto, porque estamos fascinados pelo ‘glamour’ que tem o prestígio, só para nós. Deve ser a síndrome do ultraegocentrismo que implica em nosso esquecimento do princípio de mortalidade e imaginamos que estamos acima de tudo e todos. Aquele breve frio na barriga que sentíamos pela satisfação ao recebermos um elogio de um amador deixará de nos alegrar, porque queremos ouvir isto dos ‘grandes’. Ah, não há os ‘grandes’, idealização. O termômetro da vida aponta tantos graus daquilo que você produziu e é o que você pôde oferecer. Orgulhe-se disso, porque você abandonará a febre de ignorância que se tornou pandemia e passará a compreender, compreender-se. Viver.”

20/10/2009 GMT -2

De Boas Intenções O Inferno Está Cheio¹

celu @ 20:19

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Esta frase é de autoria de um teólogo e santo famoso, o francês São Bernardo de Clairvaux (1090-1153). Muito místico, travou grandes polêmicas com o célebre namorado de Heloísa, o também teólogo e filósofo escolástico Pedro Abelardo (1079-1142). Conselheiro de reis e papas, São Bernardo pregou a Segunda Cruzada, destacando-se no combate àqueles, que eram considerados hereges, por ousarem interpretar de modos plurais a ortodoxia católica. A frase foi brandida, não apenas contra seus desafetos, mas também a seus aliados, e tornou-se proverbial para denunciar que as boas intenções, além de não serem suficientes, podem levar a fins contrários aos esperados.
Embora carregue esse arcabouço de tal origem e conotação proverbial, essa expressão carrega também consigo um sinal de alerta para quando quisermos prestar mais atenção às nossas intenções. Talvez se deva levar em consideração o fato de que ao darmos palpites, e, como dizemos, se palpite valesse alguma coisa não daríamos de graça, não estamos propriamente demonstrando alguma intenção. A sabedoria desta expressão nos pega no contrapé quando nos dá uma indicação para fazer uma indagação a nós mesmos. Se estivermos apenas palpitando, sendo enxeridos, ou para ser um pouco mais rigoroso com a nossa própria atitude, se estamos dando algo de que o lixo está cheio, o alerta também vale para que, mediante uma intenção, nós a avaliemos se, de fato, tem algum valor, em especial se possui algum valor para ser aproveitada pela outra pessoa. As nossas intenções, neste caso, devem representar um bem para o outro e, como tal, ser oferecido como um ato de respeito e consideração pela pessoa do próximo.
O que difere a boa intenção de um palpite, ou da mera opinião, ou mesmo da necessidade que podemos sentir de fazer um julgamento sobre as atitudes ou a pessoa do nosso próximo? A boa intenção é algo valioso, como parte de nós, que está sendo compartilhada e tem como objetivo agregar à outra pessoa um valor. Quase como um ato de amor e de doação. Já os palpites podem ser comparados a ideias ou fragmentos dos nossos próprios pensamentos que nos vêm à mente a granel sem exatamente possuírem valor próprio. Basta você fazer consigo mesmo um teste. Marque no relógio quantas ideias ou pensamentos diferentes te ocorrem no tempo de um minuto. Anote num papel. Em seguida analise quantas dessas ideias ou pensamentos são importantes e quantos podem ser descartados. Observe que a maior parte delas não tem relevância nem para seus objetivos nem para o seu momento atual. Como nos ensina o Livro dos Espíritos, na resposta dada à pergunta 461 “Os pensamentos próprios são, em geral, os que vos ocorrem no primeiro impulso. De resto, não há grande interesse para vós nessa distinção e é frequentemente útil não o saberdes...”
As nossas intenções são movidas, em geral por um querer. Esse querer começa lá atrás numa necessidade de mudança que se processará conforme a nossa vontade. Ela será manifestada com a convicção e a força necessárias dependendo da administração da nossa vontade que, na verdade é a força que nos move. Isso alimentará os desejos que serão mais ou menos harmonizados com os nossos motivos e interesses pessoais. Os desejos, podemos dizer que são impulsos disparados conforme os motivos ou interesses que temos para fazer as coisas. Isso vai configurar dentro de nós certo tipo de inclinação como se fosse uma tendência, pois estará em acordo com muitas outras maneiras que temos e expressamos no nosso agir cotidiano. Falamos de inclinação porque a nossa maneira de ser acaba sendo previsível, pois é uma espécie de traço da nossa maneira de agir.
A expressão “de boas intenções o inferno está cheio” nos dá o tom da gratuidade com que as pessoas gostam de emitir opiniões e têm maneiras diversas, prolixas e pouco refletidas no momento de expressá-las. Se alguém considerar profunda e respeitosamente as atitudes da outra pessoa, seus modos, o que ela deseja fazer ou prestar atenção ao que ela está tentando dizer, talvez não fosse preciso, na maioria dos casos, emitir algum palpite, oferecer gratuitamente o nosso ponto de vista. Essa expressão, aliás, fala em algo que é nosso e como um ponto de vista vem carregado de características pessoais, valores particulares, princípios que adotamos ao longo da nossa formação e educação. Sendo assim, o que leva as pessoas a emitirem opiniões, dificilmente será plenamente aproveitável por uma outra pessoa, alguém que também possui os seus pontos de vista pessoais.
Pitágoras (filósofo e matemático grego 571 ou 570 a.C a 497 ou 496 a.C) aconselhou “não te deixes impressionar por palavras alheias. Elas não te devem afastar dos projetos honestos, que tiverdes formado” e prescreveu uma ordem “cala-te, ou dize coisas que calham mais que o silêncio. Antes atirar uma pedra ao acaso que uma palavra inútil. Não digas pouco em muitas palavras, mas muito em poucas”. Essas citações até que são suaves perto do modo radical de Lao-Tse (filósofo Chinês, período de nascimento controvertido: séculos VII ou VI a.C ou 1324 e 1408 a.C.) “O homem que sabe não fala; o homem que fala não sabe”.
Parece distante pensar em “boas intenções” e “palavras”, mas a questão é que as nossas intenções, na verdade, encerram o que vai pelos nossos pensamentos que se multiplicam pelas nossas digressões, fantasias e ideias imaginativas. Para que soubéssemos as verdadeiras intenções das pessoas, melhor seria não ouvir suas palavras, mas sim observar suas ações e, se ainda possível fosse, ler os seus pensamentos. No dizer de Goldsmith (10/11/1730(?) – 4/04/1774) “o verdadeiro uso da palavra não é tanto para exprimir nossas necessidades quanto para escondê-las”. Os pensamentos, estes sim, são praticamente indevassáveis, e ainda bem porque podemos contar com essa certeza também sobre os nossos próprios pensamentos.
Como todos os nossos atos precisam ser consequentes, melhor será que as nossas boas intenções não preencham nem os nossos infernos pessoais e tão pouco o inferno pessoal do nosso próximo.

¹Citado no livro “De onde vêm as Palavras” de Deonísio da Silva, Edit. Mandarim, São Paulo, 1997.

14/10/2009 GMT -2

Quando você se encanta

celu @ 20:17

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“Não há nada mais delicioso que sentir-se encantado.
É quando tudo fica mais gostoso... tudo passa a ser estímulo!
Parece que seus pés estão pisando em flocos de nuvens pintadas com as cores do arco-íris.
Brota um sorriso maroto nos lábios, brilham os olhos, dá vontade de permanecer sempre acordado.
As glândulas salivares disparam... arrepios percorrem a pele, vibram as palmas das mãos, um suave torpor invade  todo o corpo e uma ligeira vertigem acompanha cada pensamento...  Tudo se transforma em doce lembrança, é tudo encanto!!
Em lugar de sentir-se cativo, você curte uma forte sensação de liberdade, aumenta seu vigor, sua alegria de viver, o mundo parece envolto numa suave nuvem cor de rosa, as coisas já não o aborrecem tanto porque tudo é menor, infinitamente menor, e ninguém consegue penetrar nesse universo tão restrito.
Seu olhar fica mais doce, todos os sentidos se aguçam, você passa a ser dono de uma coisa que não pertence a mais ninguém.
Alguns chamam a isso de paixão, outros de amor, atração, empatia, tesão... Eu acho que é a mais perfeita alquimia... E tal qual bruxos, fadas, feiticeiros ou duendes... carregamos bem guardado o motivo dessa incrível sensação atrás do mistério de um sorriso... e fica assim decidido: uma metade do segredo é toda sua, e a outra metade será eternamente minha.... !!”

12/10/2009 GMT -2

O Amor é refém do destino

celu @ 22:01

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“O amor encontra seu significado estimulando a participação dos amantes na procura da renovação da espécie.
O amor, portanto é, a própria geração de um novo ser, por isso que os amantes buscam suas coisas belas para gerar uma nova vida. Nessas condições o amor é a nossa própria transcendência, é o impulso criativo dentro de nós mesmos.
Em todo relacionamento amoroso há dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino, porque, por maior que seja a intimidade e a vida maravilhosa que tenham é muito difícil compartilhar essas duas vidas como uma só.
Amar significa abrir-se ao destino, amar é a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao prazer, numa liga irreversível.
Abrir-se ao destino significa, admitir a liberdade no ser, aquela liberdade própria dos amantes, onde um se incorpora no outro.
A satisfação no amor individual não pode ser atingida sem a humildade, a coragem, a fé, a persistência e o sentimento verdadeiro. Por essa razão é que o prazer passageiro, a satisfação instantânea, os resultados sem esforços, as garantias em cartórios, não garantem o verdadeiro amor.
Amar, sempre será uma rara e gostosa conquista.
Para amar, os amantes têm que compartilhar tudo entre si, é uma fusão completa, é quase um estado místico, entre duas mentes.
Em estado de amor, onde exista compreensão, identificação e empatia, os amantes sempre serão radicalmente um só, mesmo conservando algumas de suas individualidades.
Quando duas pessoas se amam verdadeiramente, inclinam-se uma para a outra em todos os momentos da vida, sentindo a satisfação de estar um com o outro. Seu desejo sexual e seu amor espiritual justificam suas vidas. Passa a existir o sentimento de que toda e qualquer frustração da vida a dois recebe o consolo de suas reciprocidades, que se compensam com a presença do desejo e da ternura.
Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas continuamente, pois o amor ao se instalar entre dois seres, ele conduz os amantes através de terras inexploradas e desconhecidas.”

11/10/2009 GMT -2

Alfabeto

celu @ 23:08

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"Esta noite um alfabeto amanheceu junto a mim: vinte e cinco letras, todas misturadas entre si, foram descendo uma a uma em minha cama. Elas nasceram e viveram esta noite aqui comigo. Vinte e cinco letras sairam da minha cabeça de sonhos por um fio de cabelo. A letra S foi a primeira que saiu, e depois as outras todas foram saindo com seu brilho interminável, numa espécie de marcha gloriosa de uma literatura de audazes. E foram então se multiplicando com alguma regularidade fantástica, pois havia uma inteligência linda sustentando todas elas nos meus sonhos, e elas cromossomos de si mesmas, já continham as palavras que seriam ao sair. A primeira foi SONHO, e a segunda foi AMOR, a terceira LIBERDADE , a quarta VENTO, depois PRAZER, FILOSOFIA, PECADO... E elas foram todas assim se sucedendo e se construindo de forma natural. Palavras simples e complexas, versos delicados, milhares de substantivos caindo ao meu lado, adjetivos dançando uma dança de loucuras, predicados, advérbios e pronomes, todos dançando um balet de gostosuras. Palavras, palavras, palavras...
Quando acordei, a aurora já existia, e eu estava inundado de palavras. Então as amei, uma por uma, todas."

08/10/2009 GMT -2

Laços magnéticos

celu @ 23:37

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“No começo, tudo é encanto e alegria. Você se apaixona, ele se apaixona e há uma vibrante troca de fluído magnético entre os dois. “Quando duas pessoas se enamoram, os campos de energia magnética de ambos brilham e se entrelaçam. São os pólos magnéticos que se cruzam. A força produzida pela interação dos apaixonados é tão intensa que, sem perceber, o casal alimenta-se dela. A energia gerada por essa emoção transparece no olhar, na pele.
A atividade sexual intensifica essa troca vital. O casal passa a trocar energia magnética pelos seus poros.
Com o tempo, os dois apaixonados começam a formar verdadeiras correntes magnéticas que ligam um ao outro, transmitindo e captando energia magnética de amor, carinho e ternura, refinando todas as emoções e sentimentos dentro do relacionamento. Mas também pode ser que isso não aconteça. E o resultado dessa união seja uma relação infeliz ou muito dependente. Ela pode até durar muito tempo, mas está baseada num frágil equilíbrio entre carências e dependências. Tal situação instável tende a gerar uma obsessão doentia de um pelo outro, brigas ligadas à competitividade ou ao desejo de ser aquele quem manda mais na relação. Um exemplo comum dessa situação é aquele no qual a mulher se direciona inteiramente para o homem e faz tudo o que ele quer. Assim ela retira a energia magnética de si mesma, esquecendo-se de que é a entidade autônoma, brilhante e cheia de vida por quem sua parceira um dia se apaixonou.
Quando a separação acontece, mesmo morando em casas separadas e com o fim do contato sexual, fortes laços magnéticos continuam presentes. Muitas vezes um dos parceiros – justamente o que sente mais a dor da separação – continua a nutri-las, por meio de sentimentos como mágoa, tristeza, raiva ou desejo de tornar a controlar novamente a situação. Isso é compreensível se pensarmos que os laços que um dia uniram corações não se desfazem apenas baseados na lógica ou na separação dos bens materiais. “Quanto mais profunda a união, mais forte é o elo que se forma entre duas pessoas. Os corpos já podem estar separados, mas a energia criada entre eles ainda os mantém juntos.”

07/10/2009 GMT -2

Três domínios

celu @ 21:54

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 “Os toltecas, um povo que buscava a sabedoria do viver e que habitou o sul do México há presumíveis quatro mil anos falavam que, para sermos condutores do nosso próprio sonho e assim conseguir transpor o nevoeiro, o perigoso mitote, como eles chamavam, é preciso lutar pela manutenção de três domínios em nossa mente. O domínio da Consciência, o da Transformação e o da Intenção, que nos libertam da domesticação social que nos foi imposta e transformam energia material em emocional em nosso cérebro.

Pela Consciência, essa arma maior do ser humano que faz com que veja o resultado das suas ações no mundo e as consequências que as circunstâncias têm sobre si, captando o verdadeiro valor das coisas no mundo, adquirimos lucidez e a chance de enxergar as situações como elas são, realmente, ao invés de vê-las como queríamos que fossem.

O domínio da Transformação nos traz coragem e um fundamental crédito: o de que podemos mudar o rumo dos fatos, depois de acontecidos, já que dentro de nós está a chama dessa mudança. Como dizia Gandhi, “você é a mudança que quer ver no mundo”.

E a Intenção é que contém a força da vontade, do querer transformar após a conscientização. Um querer sólido e não apenas o capricho de realizar ou o ensaio da possibilidade, como se sente em muitas pessoas, os diletantes da existência, cheios de teorias, de propostas filosóficas, mas sem nenhum embasamento, sem jamais “colocar a mão na massa”, como pregava o antigo ditados das avós.

Para atingirmos minimamente esses três domínios, precisamos, antes de mais nada, tentar afastar as sombras do Juiz, da Vítima e do Sistema de Crenças que se alicerçam nos pensamentos e que são responsáveis pelas culpas, que levam a pagar muitas vezes pelo mesmo erro, pela fragilidade que acaba facilitando a dominação dos outros e por crer que temos que corresponder sempre ao que esperam de nós.

Eis porque os toltecas apelavam para a dignidade da rebeldia, para que não acabemos vítimas dessa frivolidade que hoje, então, na Sociedade do Espetáculo – onde o ser trocou de lugar não só com o ter, mas com o aparecer – anula qualquer entendimento em nome das imagens de aprovação, dos aplausos fáceis, dos discutíveis méritos utilitários.

Não é fácil conseguir a vitória sobre as sombras e nem conseguir o domínio dessas três abençoadas forças, mas é preciso lutar. Como uma forma de viver, o oposto de se aposentar da vida, tornando-se um prisioneiro de acordos unilaterais convenientes para a sociedade e perdendo um privilégio inigualável: a conquista da identidade.

É pena que algumas pessoas não aproveitem os anos passados para usufruir de tudo isso, presas às regras, ao metodicismo, estancadas no tal Sistema de Crenças e vivendo entre fantasmas e medos, achando que a passagem dos anos é um fantasma ao invés de ser a benção que é. Ou melhor, que pode ser para alguns.”

03/10/2009 GMT -2

Desconfiança ou Insegurança?

celu @ 21:22

 “Desconfiança ou insegurança, em vários momentos, fazem parte de nossas vidas. Seja em âmbito profissional ou pessoal. Quem não passou por isso?! Desconfiança gera Insegurança? Ou a Insegurança gera Desconfiança? Podemos entender que as duas coisas andam lado a lado.

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Existe um filme chamado “Dúvida”, de John Patrick Shanleyo, que adaptou sua premiada peça para o cinema. No elenco do filme estão Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams e Viola Davis. No filme, Meryl Streep interpreta uma freira rígida que dirige uma escola católica conservadora. Ao longo da história, ela começa a desconfiar do padre da paróquia e cria um círculo de acusações que em momento algum conseguem ser provadas. Tudo fica no ar para o espectador interpretar da forma que quiser. O filme retrata perfeitamente o que a desconfiança é capaz de gerar.

A desconfiança, em excesso, é um terrível sentimento que prejudica gravemente uma relação entre pessoas e consequentemente uma melhor integração no ambiente em que vivem, mas sendo ponderada, pode fazer bem.
Uma pessoa que está sempre a desconfiar de outras sente-se num mundo hostil, onde todos a querem enganar. Sente-se acossada.  Algumas pessoas procuram a “verdade” durante todo o tempo. Essa procura interminável é fonte de estresse, ansiedade, preocupação e angústia. Há muita dificuldade em reverter o quadro, porque é o tipo de relação que conhecem e na qual se espelham.

É fundamental notar que a desconfiança esteja sempre à procura de um motivo real onde se instalar e, de fato, nem precisa ser tão real assim: basta ser plausível e pronto! Ela se instala!! De fato, em realidade, para o desconfiado/inseguro típico, não importa que o “outro” faça para evitá-la, pois a insegurança estará sempre presente, à espera de um motivo, já que ela não depende de um motivo real, pois emana do EU. Vice-versa, poderíamos dizer que a Confiança e a Segurança são qualidades energéticas, ou seja, são sentimentos que a gente entrega, pois emana do eu para os outros, ou não existe, de modo algum.

Se eu confio,  não vigio,  se confio não me faço um negociante da confiança ou da desconfiança do outro,  não me torno um guarda restritivo e muito zeloso de suas posses adquiridas,  não me torno um segurança,  sempre pronto a cercar e garantir,  sempre pronto a proibir e a cercear a liberdade do outro.

Se eu, em nome de minha Insegurança exijo provas diuturnas de que a outra pessoa nada tenha feito para merecê-la, então,  de fato,  de dentro de minha Insegurança,  a outra pessoa  é culpada,  a menos que prove o contrário,  pois a realidade única que eu permito é a da minha desconfiança e a outra pessoa,  na verdade, não é levada em conta,  e sim,  desconsiderada e desrespeitada em sua individualidade,  poder de escolha e liberdade.  Cada pessoa tem a sua individualidade, e têm que respeitar a da outra.  Mas até que ponto prevalece a sua individualidade em um relacionamento?.  Se a coloca acima dos interesses da equipe (lado profissional) ou acima do interesse do relacionamento (seja amigos, pais/filhos, marido/esposa),  as pessoas já não irão enxergar com a mesma confiança.  Às vezes é preciso se entregar mais,  ser menos individualista.  Isto sim,  gera confiança.  E a atitude individualista gera desconfiança.  Aí está a raiz psicológica da democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais.

O testemunho da outra pessoa vale muito pouco, nas horas negras, pois a desconfiança não permite entrega, não baixa a guarda e o temor engole, em seus subterrâneos mais profundos, todo e qualquer sentimento positivo que se podia nutrir na cena de ciúme e traição que o desconfiado/inseguro constrói.  Uma coisa é certa: Ninguém sofre mais com o ciúme e a insegurança, do que o próprio ciumento/inseguro. Trata-se de um grande desperdício de energia e de vida! Quem sofre tanto com este problema faria por bem ocupar-se mais (atentar) para aquilo que ele(a) entrega no relacionamento (pessoal e/ou profissional), e menos, com aquilo que ele(a) recebe.

Assumir a responsabilidade pelo que entregamos nos faz retomar o foco em nós mesmo (e naquilo que emana do eu), assim como nos faz parar de criticar tanto a outra pessoa, como se ela fosse o nosso obstáculo de plantão na jornada/caminhada na direção da felicidade e da plenitude. 

O que leva a pessoa a suspeitar muito é o saber pouco! Por isso as pessoas deveriam dar remédio às suspeitas procurando saber mais do caráter do próximo (desde que a outra pessoa dê abertura para se conhecer), em vez de se deixarem sufocar por elas.  As suspeitas, que o espírito de si próprio gera, não são mais do que zumbidos; mas as que são artificialmente alimentadas com histórias e ditos maliciosos, essas possuem venenosos ferrões. Certamente, o melhor meio de abrir caminho na floresta das suspeitas é falar francamente com a pessoa de quem se desconfia; porque assim ter-se-á a certeza de conhecer melhor a verdade do que se conhecia antes, e conseguir-se-á que a pessoa de quem se desconfiou seja de futuro mais circunspecta e dê outros motivos de suspeição.”

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