
“Os toltecas, um povo que buscava a sabedoria do viver e que habitou o sul do México há presumíveis quatro mil anos falavam que, para sermos condutores do nosso próprio sonho e assim conseguir transpor o nevoeiro, o perigoso mitote, como eles chamavam, é preciso lutar pela manutenção de três domínios em nossa mente. O domínio da Consciência, o da Transformação e o da Intenção, que nos libertam da domesticação social que nos foi imposta e transformam energia material em emocional em nosso cérebro.
Pela Consciência, essa arma maior do ser humano que faz com que veja o resultado das suas ações no mundo e as consequências que as circunstâncias têm sobre si, captando o verdadeiro valor das coisas no mundo, adquirimos lucidez e a chance de enxergar as situações como elas são, realmente, ao invés de vê-las como queríamos que fossem.
O domínio da Transformação nos traz coragem e um fundamental crédito: o de que podemos mudar o rumo dos fatos, depois de acontecidos, já que dentro de nós está a chama dessa mudança. Como dizia Gandhi, “você é a mudança que quer ver no mundo”.
E a Intenção é que contém a força da vontade, do querer transformar após a conscientização. Um querer sólido e não apenas o capricho de realizar ou o ensaio da possibilidade, como se sente em muitas pessoas, os diletantes da existência, cheios de teorias, de propostas filosóficas, mas sem nenhum embasamento, sem jamais “colocar a mão na massa”, como pregava o antigo ditados das avós.
Para atingirmos minimamente esses três domínios, precisamos, antes de mais nada, tentar afastar as sombras do Juiz, da Vítima e do Sistema de Crenças que se alicerçam nos pensamentos e que são responsáveis pelas culpas, que levam a pagar muitas vezes pelo mesmo erro, pela fragilidade que acaba facilitando a dominação dos outros e por crer que temos que corresponder sempre ao que esperam de nós.
Eis porque os toltecas apelavam para a dignidade da rebeldia, para que não acabemos vítimas dessa frivolidade que hoje, então, na Sociedade do Espetáculo – onde o ser trocou de lugar não só com o ter, mas com o aparecer – anula qualquer entendimento em nome das imagens de aprovação, dos aplausos fáceis, dos discutíveis méritos utilitários.
Não é fácil conseguir a vitória sobre as sombras e nem conseguir o domínio dessas três abençoadas forças, mas é preciso lutar. Como uma forma de viver, o oposto de se aposentar da vida, tornando-se um prisioneiro de acordos unilaterais convenientes para a sociedade e perdendo um privilégio inigualável: a conquista da identidade.
É pena que algumas pessoas não aproveitem os anos passados para usufruir de tudo isso, presas às regras, ao metodicismo, estancadas no tal Sistema de Crenças e vivendo entre fantasmas e medos, achando que a passagem dos anos é um fantasma ao invés de ser a benção que é. Ou melhor, que pode ser para alguns.”