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Comportamentos Diferentes

09/05/2008 GMT -2

Dever ser e aceitar-se

celu @ 15:44

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De vez em quando fico pensando sobre duas “conversas” que nos rondam o tempo todo: a conversa do “dever ser” e a conversa do “aceitar-se”. A conversa do “dever ser”, de conversa, apenas, não tem nada, pois é muito mais uma velha postura, incorporadíssima por aí. Chamo-a de mania que o mundo tem – lembre-se de passagem, o mundo somos nós – de ditar comportamentos, de padronizar jeitos de ser, de categorizar tudo o que se faz, o que se fala e o que se sente de bom ou de mal, admirável ou detestável. E a outra conversa é ainda uma voz fraquinha, mal-ouvida e pouco assimilada, mas que vem dizendo às pessoas para se libertarem dos padrões, para serem elas mesmas, para dizer um basta aos modelos, aos julgamentos.Talvez porque a gente ande muito massacrado pelo longo império do “dever ser”, ouvir falar sobre o aceitar-se é empolgação na certa e a sensação é que se achou a saída. E, pessoalmente falando, experimento que se aceitar é um grande passo, um remédio poderoso. Aceitar tudo em si. Às vezes, não gostar, mas aceitar. Às vezes, não concordar, mas aceitar. Envergonhado, descontente, frustrado, arrependido, aceitar-se sempre. Bom, mas a novidade mesmo é que eu tenho pensado que apesar dessa aceitação ser limitada, ela não pode ser sempre passiva. Ao contrário, muitas vezes, ela deve ser seguida de uma ação; ela vem, então, para acalmar a tempestade e instalar calmaria necessária à transformação. Vejo que só o aceitar-se sem uma auto-crítica (e esta combina com aceitar-se), em um momento seguinte, é inócuo, não constrói nada. Pelo contrário, se levado ao exagero, pode fazer surgir pessoas muito centradas em si mesmas e desatadas do mundo ao seu redor. E é aí neste ponto, que essa história de “dever ser” não me soa tão ruim assim. No fundo, ela guarda sabedoria, experiências de outros concatenadas com o tempo e que nos servem de orientação ao “transformar-se”, tão vital a uma vida saudável e leve quanto o “aceitar-se”. Enfim, a velha conclusão do equilíbrio: se o “dever ser” nos restringe, poda, emudece, sufoca tanto, ater-se a ele cegamente é se escravizar e na certa ser infeliz. Mas, por outro lado, o aceitar-se sem parâmetros e sem rédeas também guarda seu perigo. Creio que devemos ter o “dever ser” em mente, mas sermos livres, independentes para que, aceitando com muita suavidade e sem revolta todas as nossas características, possamos então nos transformar aos poucos, naquilo que precisamos, cortando nossas arestas e, enfim, concretizando nossa maior vocação que é a de sermos felizes.

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