17/05/2008 GMT -2
celu @ 11:08
Será que eu me comunico comigo mesmo? Será que me permito sentir todo meu ser psíquico e orgânico, emocional e racional?
Estão abertos os canais que levam livremente para o “eu” consciente as experiências vivenciadas nos diversos níveis do ser emocional que sou? Ou esses canais têm filtros (máscaras) que distorcem a mensagem porque eu tenho medo de me aceitar como sou?
O ser humano é uma grande rede de comunicações. Um complexo emissor-receptor de mensagens. Em comunicação dizemos que existe dois componentes básicos: a) o emissor: aquele que fala, que representa, que transmite algum recado; b) o receptor: aquele que é alvo do recado, a quem se dirige a mensagem, conhecido como “ o público”.
Geralmente o receptor, o público, entende a mensagem segundo seus valores e suas experiências particulares. Logo, a mensagem – jornalística, publicitária, teatral, cinematográfica, artística, etc. – nem sempre é entendida pelo público como pretendia o emissor. A mensagem pode ser extremamente objetiva mas recebe sempre uma dose de subjetivismo do receptor. Esse componente subjetivo (como a mensagem é entendida pelo público) é sempre a pedra no sapato do comunicador objetivo e a pedra de toque do manipulador da informação que procura sensibilizar as massas para seus fins.
O ser humano, como complexo emissor-receptor, também está sujeito a todos esses “ruídos” na comunicação consigo mesmo. Por exemplo: começo a sentir uma experiência (mensagem emitida) de ódio. O receptor dessa mensagem (a imagem que faz de mim mesmo) entende experiência por: “fulano deixou-me irritado”. É fim de conversa! Não aceito a experiência em sua objetividade porque ela me diz: “eu ainda cultivo o ódio”. Ora, isto é forte demais para a imagem (máscara) que faço de mim mesmo, e, eu, então, manipulo a mensagem para não conflitar com a máscara. E, assim perco uma excelente oportunidade de me conhecer melhor; distorci a comunicação.
Inúmeras são as mensagens (experiências emocionais) que diariamente são emitidas para o “eu” inconsciente. Compreendê-las em toda sua objetividade, sem manipulações, este o grande desafio para nosso crescimento como pessoa.
O relacionamento no trabalho profissional, o ambiente familiar, a participação em alguma atividade religiosa, são cenários maravilhosos que estimulam essa comunicação conosco mesmos. Estar disponíveis para esse grande diálogo íntimo, sem manipulações, é o caminho para nos libertar de uma série de medos e para nos aproximar mais de nosso semelhante. E, sobretudo, de nos compreender e aceitar melhor, mantendo abertos nossos canais internos de comunicação.
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