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12/06/2008 GMT -2

Respeitando as máscaras

celu @ 18:07

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No capítulo 5 do livro “Por que tenho medo de lhe dizer quem sou?”, de John Powell, chama a atenção um trecho que alerta sobre os cuidados que devemos ter com nossa tendência a “colocar as pessoas na linha”, de tirar as suas máscaras e de forçá-las a encarar a verdade reprimida. Eric Berne avisa sobre o perigo de desiludir as pessoas em relação a seus “jogos”. Pode ser que não consigam suportar isso. Elas buscaram um papel, começaram a jogar e a usar máscaras, exatamente porque isso iria tornar suas vidas mais fáceis e toleráveis. Diz o autor: “Portanto, devemos ser muito cuidadosos para não assumir a tarefa de confrontar as pessoas com suas ilusões. Somos todos tentados a desmascarar os outros, a destruir suas defesas, a deixá-los nus e cegos diante da luz de nossa descoberta. Os resultados podem ser trágicos. Se as peças psicológicas se soltarem, quem vai apanhá-las para colar o pobre Ser Humano de novo? Você vai? Você sabe? Se considerarmos a “não-diretividade” como a maneira mais respeitosa de tratar um ser humano, percebemos que estamos no caminho certo, pois apenas a aceitação e a confiança favorecem o reencontro da pessoa com sua essência verdadeira. Isso no momento em que ela se sinta preparada a derrubar algumas máscaras. Muitas vezes é difícil lidar com algumas situações em que fica evidente que a outra pessoa está usando a fantasia como teor principal da conversa. O alerta de John Powell é importante, já que não sabemos se a outra pessoa consegue viver sem suas defesas. Além do mais, não é preciso mais que respeito para ouvir alguém e mostrar nossa consideração. É claro que jamais devemos “estimular” a fantasia da outra pessoa e nem nos envolver ou nos deixar manipular por ela. Para isso é fundamental que “nossas” defesas sejam trabalhadas, para que possamos oferecer nossa compreensão à outra pessoa. Isso só ocorrerá se compreendermos os mecanismos de defesa que nós próprios usamos e por que o fazemos. Quanto mais nós investirmos no auto-conhecimento e auto-aperfeiçoamento, mais condições teremos de permitir ao outro ser quem ele é, e respeitar seu processo, confiando no potencial de cada ser humano.

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