Ouse ser divino

A Bíblia diz: “Vocês são deuses”. Já a cultura que nos rodeia considera tabu dizer “Eu sou Deus”, porque acredita que ofendemos a Deus e somos merecedores de punição por tentarmos usurpar seu trono. Deus não sofre ofensas e seu trono não pode ser abalado. O amor não pode ser exilado, pois não existe lugar no universo de que esteja ausente sua misericórdia. O amor é a qualidade perene de nosso ser, a glória que levamos em nós por toda a eternidade. O que nos aguarda não é o castigo, mas o despertar. Amados, chegou o momento de deixar de lado os brinquedos da Terra e assumir o propósito em nome do qual nascemos. Viemos para aprender que somos de Deus e para expressar esta grande verdade em todas as nossas atividades e relacionamentos.
Não somos maiores do que Deus, mas tampouco somos menores. Dentro de cada um de nós habita a centelha do divino. Deus vive no imperador e no mendigo de rua, na prostituta e no santo, no vilão e no herói. Esta vida é só um baile de máscaras, uma cena passageira, embora pungente, de um enredo maior. Nossos momentos de iluminação aqui são como diamantes faiscando na superfície de um oceano iluminado pelo brilho da lua, refletindo uma luz que emana de uma fonte muito distante do mundo por ele banhado. Nossos momentos mais brilhantes recordam a radiosidade do lar que deixamos para vagar e aprender. Um dia, talvez em breve, estaremos em pé no cume de um penhasco que dá para o mar, para o imensurável oceano, e abençoaremos a nossa caminhada. Sorriremos diante da libertação do jogo das eras e choraremos as lágrimas de toda a humanidade. Perdoaremos o nosso nascimento, teremos compaixão por nossos erros e acolheremos nossa saída deste mundo quando reconhecermos que suas flechas não podem atingir o coração que Deus amorosamente nos instalou no peito. Somos os senhores da nossa vida. Andamos com Deus e andamos majestosamente. Não há qualificativo excelso o bastante para descrever aqueles que portam a luz do Espírito. E não existe propósito mais elevado que o de reconhecer a beleza em nosso interior e irradiá-la.
Ousar ser divino é o desafio final da grande audácia de ser quem você é. A busca da identidade termina, enfim, com a constatação de nossa dimensão divina. Todas as outras ousadias levam até esta. Este não é um texto sobre a autocomplacência; é um alerta de autodescoberta. Cada passo que damos ao longo do caminho leva-nos mais perto da memória de que nossa natureza é espiritual. Nada importa a menos que nos leve para mais perto de nossa Fonte, que está no meio de nós.
A lembrança de nossa dimensão divina é o único conhecimento que nos fornecerá a verdadeira paz. Durante anos e encarnações sucessivas, dedicamo-nos à busca, à experimentação e a várias filosofias; vivemos em muitos lugares, experimentando as vertiginosas altitudes e dolorosas profundezas das miríades de relações em que nos envolvemos; trilhamos as sendas de religiões antigas e modernas; cruzamos desertos em que o vento das adversidades soprou sobre nossa dor como areia contra nosso rosto fatigado e assim abateu nossa arrogância. Buscando conforto, deitamo-nos nos braços de anjos e de charlatães, levamos aos lábios taças de néctar e recuamos diante de venenos. Tanta busca, porém, conduziu-nos tão-somente de volta a nós mesmos, onde todas as respostas nos esperavam desde o início. A busca de grandeza fora de nós desconsidera o tesouro que jaz em nosso íntimo. Nossa permanência no mundo dos espelhos mostrou-nos que todas as coisas que contemplamos remetem-nos de volta a nós mesmos. No cerne mesmo de nossa alma está Deus. Não temos outra fonte de força além do Espírito. Esta é a verdade radical que viemos descobrir; é a peça final do quebra-cabeça que se encaixa em seu lugar e forma uma imagem perfeita.
Estamos vivendo numa época sem precedentes na história da humanidade. Esta é a época de dissolução do medo e da ilusão na face do planeta. É o momento do grande despertar, e nós fazemos parte desse movimento. Que era auspiciosa para se viver! Como é grande a contribuição que podemos dar quando encontramos a força necessária para ofertar dádivas!
Se estas palavras o tocaram, leitor, vá em frente e ponha-as em prática. A visão de seu espírito é necessária. Sua presença neste mundo é mais importante do que você talvez tenha pensado. A Terra está suplicando por ajuda e cura, e seu amor é o dom que trará de volta à vida inúmeros moribundos. Cuide para que sua Luz não perca o brilho. Alimente seu coração. Toque o coração dos outros. Não se esqueça de que somos todos nascidos do mesmo Deus. Sua visão do amor é a mesma que Deus tem de você. Você vai encontrar a coragem de ser você mesmo.”

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