Um emblema patético

“No pantanoso universo das celebridades internacionais – entre as autênticas, as fabricadas, as efêmeras, as longevas, e aquela miríade de candidatos que nunca saem da planície -, ele quis ser a maior de todas, a mais amada e duradoura. Não chegou exatamente a tanto, mas teve seu bom período de glórias. Só que, na busca da utopia, ao invés de escudar-se no genuíno talento musical e de notável showman que realmente possuía em vastas doses, ele se pautou pela excentricidade chocante, quando não pela pura e simples paranóia. Foi a sua perdição.Michael Jackson, o grande nome do pop a partir da década de 70, e que se calcula tenha vendido 750 milhões de discos, morreu quinta-feira (25/06/2009) em Los Angeles, aos 50 anos. Muitos fãs jamais se esquecerão de suas músicas, mas a maioria das pessoas, no mundo inteiro, se lembrará dele, no futuro, menos por isso do que por ter sido o negro que quis virar branco, por suas esquisitices comportamentais, por suas taras sexuais, ou até mesmo por ter sonhado superar os limites naturais de sua condição humana.
O superastro sonhou tudo errado e, ao fazer assim, por sua própria opção esquizofrênica, tornou-se um emblema patético destes tempos desvairados. No fim das contas, acabou pagando caro por isso, vendo abreviada sua existência, e enterrando com ela seu imaginário de ilusões e mentiras. No fundo, muito triste, até para um personagem do gênero.”

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