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03/10/2009 GMT -2

Desconfiança ou Insegurança?

celu @ 21:22

 “Desconfiança ou insegurança, em vários momentos, fazem parte de nossas vidas. Seja em âmbito profissional ou pessoal. Quem não passou por isso?! Desconfiança gera Insegurança? Ou a Insegurança gera Desconfiança? Podemos entender que as duas coisas andam lado a lado.

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Existe um filme chamado “Dúvida”, de John Patrick Shanleyo, que adaptou sua premiada peça para o cinema. No elenco do filme estão Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams e Viola Davis. No filme, Meryl Streep interpreta uma freira rígida que dirige uma escola católica conservadora. Ao longo da história, ela começa a desconfiar do padre da paróquia e cria um círculo de acusações que em momento algum conseguem ser provadas. Tudo fica no ar para o espectador interpretar da forma que quiser. O filme retrata perfeitamente o que a desconfiança é capaz de gerar.

A desconfiança, em excesso, é um terrível sentimento que prejudica gravemente uma relação entre pessoas e consequentemente uma melhor integração no ambiente em que vivem, mas sendo ponderada, pode fazer bem.
Uma pessoa que está sempre a desconfiar de outras sente-se num mundo hostil, onde todos a querem enganar. Sente-se acossada.  Algumas pessoas procuram a “verdade” durante todo o tempo. Essa procura interminável é fonte de estresse, ansiedade, preocupação e angústia. Há muita dificuldade em reverter o quadro, porque é o tipo de relação que conhecem e na qual se espelham.

É fundamental notar que a desconfiança esteja sempre à procura de um motivo real onde se instalar e, de fato, nem precisa ser tão real assim: basta ser plausível e pronto! Ela se instala!! De fato, em realidade, para o desconfiado/inseguro típico, não importa que o “outro” faça para evitá-la, pois a insegurança estará sempre presente, à espera de um motivo, já que ela não depende de um motivo real, pois emana do EU. Vice-versa, poderíamos dizer que a Confiança e a Segurança são qualidades energéticas, ou seja, são sentimentos que a gente entrega, pois emana do eu para os outros, ou não existe, de modo algum.

Se eu confio,  não vigio,  se confio não me faço um negociante da confiança ou da desconfiança do outro,  não me torno um guarda restritivo e muito zeloso de suas posses adquiridas,  não me torno um segurança,  sempre pronto a cercar e garantir,  sempre pronto a proibir e a cercear a liberdade do outro.

Se eu, em nome de minha Insegurança exijo provas diuturnas de que a outra pessoa nada tenha feito para merecê-la, então,  de fato,  de dentro de minha Insegurança,  a outra pessoa  é culpada,  a menos que prove o contrário,  pois a realidade única que eu permito é a da minha desconfiança e a outra pessoa,  na verdade, não é levada em conta,  e sim,  desconsiderada e desrespeitada em sua individualidade,  poder de escolha e liberdade.  Cada pessoa tem a sua individualidade, e têm que respeitar a da outra.  Mas até que ponto prevalece a sua individualidade em um relacionamento?.  Se a coloca acima dos interesses da equipe (lado profissional) ou acima do interesse do relacionamento (seja amigos, pais/filhos, marido/esposa),  as pessoas já não irão enxergar com a mesma confiança.  Às vezes é preciso se entregar mais,  ser menos individualista.  Isto sim,  gera confiança.  E a atitude individualista gera desconfiança.  Aí está a raiz psicológica da democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais.

O testemunho da outra pessoa vale muito pouco, nas horas negras, pois a desconfiança não permite entrega, não baixa a guarda e o temor engole, em seus subterrâneos mais profundos, todo e qualquer sentimento positivo que se podia nutrir na cena de ciúme e traição que o desconfiado/inseguro constrói.  Uma coisa é certa: Ninguém sofre mais com o ciúme e a insegurança, do que o próprio ciumento/inseguro. Trata-se de um grande desperdício de energia e de vida! Quem sofre tanto com este problema faria por bem ocupar-se mais (atentar) para aquilo que ele(a) entrega no relacionamento (pessoal e/ou profissional), e menos, com aquilo que ele(a) recebe.

Assumir a responsabilidade pelo que entregamos nos faz retomar o foco em nós mesmo (e naquilo que emana do eu), assim como nos faz parar de criticar tanto a outra pessoa, como se ela fosse o nosso obstáculo de plantão na jornada/caminhada na direção da felicidade e da plenitude. 

O que leva a pessoa a suspeitar muito é o saber pouco! Por isso as pessoas deveriam dar remédio às suspeitas procurando saber mais do caráter do próximo (desde que a outra pessoa dê abertura para se conhecer), em vez de se deixarem sufocar por elas.  As suspeitas, que o espírito de si próprio gera, não são mais do que zumbidos; mas as que são artificialmente alimentadas com histórias e ditos maliciosos, essas possuem venenosos ferrões. Certamente, o melhor meio de abrir caminho na floresta das suspeitas é falar francamente com a pessoa de quem se desconfia; porque assim ter-se-á a certeza de conhecer melhor a verdade do que se conhecia antes, e conseguir-se-á que a pessoa de quem se desconfiou seja de futuro mais circunspecta e dê outros motivos de suspeição.”

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